Os desafios de manter a integridade do medicamento, levando em conta a infraestrutura nacional
Ricardo Agostinho Canteras
O Brasil é um país de grandes dimensões. São mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão territorial, com fronteiras terrestres e marítimas generosas, perdendo apenas para países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos. O que, consequentemente, faz com que a nação sul-americana tenha, também, os maiores sistemas de transporte do mundo.
Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram que, em 2018, mais de 60% das mercadorias e mais de 90% dos passageiros movimentaram-se por rodovias brasileiras.
Só que, tão grande quanto as malhas brasileiras, são os desafios diante da infraestrutura de transporte. E quando o assunto é transporte de medicamentos, a operação logística exige ainda mais atenção. Independentemente da distância que a remessa vai percorrer, é primordial respeitar as certificações da Anvisa, controle de temperatura, rastreabilidade, fiscalizações e validações para não comprometer a integridade e qualidade dos produtos. Isso tudo sem deixar de lado a agilidade e o dinamismo que o segmento exige.
Autorização para o transporte
Preservar a integridade do produto até o destino final demanda uma série de protocolos a serem seguidos, como estipula a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
O primeiro passo é obter a permissão para fazer o transporte desses produtos. A chamada AFE – Autorização de Funcionamento de Empresa – é cedida pela Anvisa e permite que instituições autorizadas transportem medicamentos comuns. Já no caso de substâncias de controle especial, é necessário requerer uma Autorização Especial – AE, sendo em ambos os casos obrigatória a presença de um profissional Responsável Técnico, normalmente um farmacêutico devidamente registrado no Conselho de Classe.
É essencial, ainda, que a empresa tenha um Manual de Boas Práticas de Transporte, em consonância com as regras estabelecidas pela agência, sendo necessária a capacitação periódica dos colaboradores envolvidos na operação com base no manual.
Normas de acondicionamento
É imprescindível observar o respeito às normas de acondicionamento, onde devem ser seguidos os critérios de empilhamento máximo, análise de compatibilidade de carga e requisitos de temperatura e umidade (quando aplicável).
Os volumes devem ser acomodados em local protegido da luz, não devem permanecer em contato direto com o veículo, sendo necessário uso de pallets ou módulo de armazenagem.
Os medicamentos controlados devem ser armazenados em compartimento de acesso restrito seguindo o previsto na portaria SVS/MS 344/98.
Entrega bem-sucedida
O transporte só é considerado bem-sucedido quando os medicamentos chegam ao destinatário com segurança, dentro do prazo e em condições adequadas ao consumo. Só assim, a meta de todos os envolvidos é atingida. Logística eficiente, bons negócios para o cliente e, o mais importante, garantia da integridade do produto.
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