Farmácias on-line em alta: o que o boom das vendas digitais revela sobre os riscos invisíveis na entrega de termolábeis 

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Farmácias on-line em alta: o que o boom das vendas digitais revela sobre os riscos invisíveis na entrega de termolábeis 

As farmácias on-line nunca venderam tanto, entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, o faturamento do setor no ambiente digital cresceu 54,8%, segundo a Abrafarma, ultrapassando R$ 20 bilhões pela primeira vez, com 150 milhões de pessoas atendidas remotamente em 12 meses. O número é expressivo, mas esconde uma questão que o mercado ainda não resolveu: o que acontece com os itens sensíveis à variação térmica depois que saem do armazém? 

O crescimento das farmácias on-line e o desafio da última milha

O varejo farmacêutico digital quadruplicou nos últimos cinco anos no Brasil, aplicativos, sites e até o WhatsApp viraram canais consolidados de compra: segundo a Pesquisa de Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizada pelo IFEPEC, 16,6% dos brasileiros já adquirem remédios por canais não presenciais, e o WhatsApp responde por 13,3% dessas transações, mais que o dobro registrado na edição anterior do estudo. 

A conveniência é inegável. Em poucos cliques o cliente finaliza a compra e recebe o pedido em até uma hora. Mas essa agilidade, quando se trata de substâncias sensíveis ao calor e à luz, pode esconder um risco que muitas vezes é invisível para quem é leigo ou está utilizando a substância pela primeira vez sem nenhuma orientação.

O que são medicamentos termolábeis e por que eles exigem atenção especial?

Termolábeis são substâncias que se degradam quando expostas a variações de temperatura fora de uma faixa específica que geralmente é entre 2°C e 8°C. Os exemplos mais comuns são insulinas, vacinas, canetas emagrecedoras à base de semaglutida ou tirzepatida, anticoncepcionais como o anel vaginal hormonal e uma série de insumos biológicos usados em tratamentos crônicos e de alta complexidade. 

O que torna esses produtos especialmente vulneráveis ao ambiente digital é que, ao contrário de comprimidos ou cápsulas convencionais, eles não dão sinais visíveis de degradação. Um frasco de insulina exposto ao calor por horas pode parecer idêntico a um conservado corretamente, mas ter sua eficácia comprometida ou até se tornar prejudicial ao organismo. Segundo especialistas, produtos com características alteradas podem aumentar o risco de reações adversas e, em casos graves, representar ameaça direta à saúde de quem os utiliza. 

A cadeia fria começa muito antes da geladeira de casa

A conservação desses itens não é responsabilidade apenas do consumidor final, ela começa na saída da fábrica e precisa ser mantida de forma contínua em cada etapa, incluindo o armazenamento, a separação do pedido, o despacho, o transporte e a entrega. Esse conjunto de processos é o que se chama de cadeia fria: um sistema integrado de controle que garante que o produto chegue ao destino nas mesmas condições em que saiu da origem.

Quando algum elo dessa cadeia falha, seja por embalagem inadequada, atraso na entrega ou ausência de monitoramento, o produto pode estar comprometido mesmo antes de ser aberto e o problema é que, na maioria dos casos, ninguém avisa.

O que muda quando a compra é feita em farmácias on-line

A digitalização do varejo farmacêutico trouxe inúmeros benefícios: maior acesso, preços mais competitivos, praticidade para pessoas com mobilidade reduzida ou que vivem em regiões com poucas opções presenciais. Mas ela também transferiu para o processo de entrega uma responsabilidade que antes era gerenciada dentro do estabelecimento físico.

Quando um paciente compra pessoalmente, o produto sai diretamente da câmara fria do estabelecimento e vai para as mãos de quem vai usá-lo, com tempo de exposição reduzido e, na maioria das vezes, com alguma orientação do atendente. No canal digital, esse fluxo é diferente: o pedido é separado em um centro de distribuição, embalado, despachado e entregue por um motoboy e em nenhum desses pontos há garantia de que a cadeia de conservação foi mantida.

O “clique e retire” como ponto cego

Além da entrega em domicílio, o modelo de retirada na loja, o chamado “clique e retire”, representa um desafio ainda maior. O produto fica aguardando no balcão por tempo indeterminado, sem controle de temperatura, até ser pego pelo comprador. Depois disso, percorre o trajeto até em casa completamente fora de qualquer estrutura de conservação.

Ao contrário da entrega expressa, onde ao menos existe uma logística estruturada, a busca presencial coloca nas mãos do cliente toda a responsabilidade por um produto que muitas vezes ele nem sabe que precisa de cuidados especiais e de refrigeração imediata.

A informação que nunca chega ao consumidor

Outro ponto crítico é a ausência de orientação no momento da compra, quando alguém adquire um anel vaginal hormonal por aplicativo, raramente recebe a informação de que o produto precisa ser mantido sob refrigeração antes do uso. Quando compra uma caneta emagrecedora, nem sempre sabe que o item não pode ficar em temperatura ambiente por mais de algumas horas após tirar da geladeira. Quando adquire insulina, pode não saber que a agulha precisa ser comprada separadamente e que o frasco fechado e o frasco em uso têm regras diferentes de conservação.

“Existe uma distância entre o que a bula orienta e o que a pessoa de fato sabe. Quando esse produto é ofertado virtualmente e chega sem nenhuma instrução de armazenamento, o risco começa bem antes do uso”, explica Ricardo Canteras, diretor Comercial e de Operações da Temp Log, especialista em logística de cadeia fria com mais de 35 anos de atuação no segmento.

A Temp Log e o papel da logística especializada na última milha

É justamente nesse elo final do ciclo que atua a Temp Log, única operadora de cadeia fria do Brasil especializada no transporte de produtos para a medicina estética. Em um mercado em que o volume de entregas de substâncias sensíveis cresce exponencialmente, a diferença entre uma operação bem estruturada e uma improvisada pode ser determinante para a segurança das pessoas.

“O processo digital exige rapidez, mas os insumos sensíveis à variação térmica não toleram improvisos. A última milha é onde mais ocorrem falhas e é exatamente onde o impacto chega direto ao paciente”, afirma Canteras.

A empresa opera com controle ativo e passivo de temperatura, rastreabilidade completa e monitoramento em tempo real em cada etapa da entrega, da saída do laboratório à porta de quem utiliza. Para entender melhor como funciona essa operação no caso específico das canetas emagrecedoras, um dos itens de maior crescimento no varejo digital, confira o artigo do blog da Temp Log sobre o tema. 

O que o usuário pode fazer para se proteger

A responsabilidade pela conservação adequada não é exclusiva das empresas, quem compra também tem um papel importante nesse processo e algumas orientações são bem práticas:

Na hora de comprar

Ao adquirir um produto em farmácias on-line, verifique se o estabelecimento informa como o item será embalado para a entrega. Drogarias sérias utilizam embalagens isotérmicas e elementos refrigerantes para manter a temperatura durante o transporte. Se essa informação não estiver disponível, vale perguntar antes de finalizar a compra.

No momento do recebimento

Ao receber o pedido, observe se a embalagem chegou em boas condições e se há algum indicador de temperatura, alguns produtos incluem adesivos que mudam de cor quando expostos ao calor. Guarde o item na geladeira imediatamente após abrir a caixa, especialmente se a entrega demorou mais do que o previsto.

No “clique e retire”

Se for buscar o produto na loja, leve uma bolsa térmica. O trajeto de volta, mesmo que curto, pode expor o item a temperaturas inadequadas, especialmente nos meses mais quentes do ano. Ao chegar em casa, coloque o produto diretamente na geladeira.

O cenário para os próximos anos

O crescimento das farmácias on-line não vai desacelerar. O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 274,45 bilhões nos 12 meses encerrados em maio de 2026, alta de 14% na comparação anual, segundo a Close-Up International. 

Com mais itens disponíveis digitalmente, incluindo os novos análogos de GLP-1 nacionais e os biossimilares que devem ganhar espaço nos próximos anos, o volume de substâncias sensíveis circulando fora de estruturas controladas só tende a aumentar. O controle de acondicionamento, nesse contexto, deixa de ser um detalhe operacional e passa a ser uma questão de saúde pública.

A boa notícia é que a regulação começa a avançar nessa direção. A Lei nº 15.357/2026 estabelece que farmácias e drogarias que utilizarem canais digitais para vendas devem assegurar o cumprimento integral da regulamentação sanitária aplicável nas etapas de logística e entrega.

O desafio agora é garantir que essa exigência se traduza em prática e que as pessoas cheguem informadas o suficiente para cobrar essa responsabilidade de quem vende.

Quer entender mais sobre como funciona a cadeia de conservação de substâncias sensíveis e quais são os cuidados que garantem a integridade do produto até o momento do uso? Continue acompanhando o blog da Temp Log.

CONTEÚDOS RICOS

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